epah aqui vai qualquer coisa...
Deserto de ti
Intenso, o aroma ácido do suor quente que emerge de mim e me cega.
Queimam-me as mãos gastas que me tapam o rosto e que me protegem ironicamente de ti.
Vejo-te por entre feridas e roupas rasgadas, a cair suavemente aos meus joelhos como manobra de diversão.
Consigo ate ouvir-te no ar à minha volta e sinto-te a fustigares-me o peito antes de caíres de novo.
Recordo entre fôlegos esforçados, de quando te contemplei nas minhas mãos e quase te senti minha.
Ajoelhado sobre ti, deixo-te suportar-me o peso, agora morto talvez, e deixo-te envolveres-me aos poucos.
Queimas-me a pele e a carne. Inúteis, os músculos à muito mirrados.
Lenta, quase profética, a possessão física a que me submetes, a psicológica há muito foi eficaz.
Admiro-te agora, enquanto te respiro e me derrubas e me invades os olhos fingindo seres lágrimas que nunca nasceram.
Cresceste, és imensa, trágica, um deserto de ti. Ideia estúpida, a de que um dia te possuiria.
Cobres-me já cego e apertas-te no meu suor e sangue. Estás-me nas entranhas, nos ossos.
Quase erótico, ritual este em que me torturas e que no clímax me torno em ti.
Hoje és tu as mãos que me agarram e eu sou um grão de areia.
Hoje sou teu.
(private joke: to P.

)